Junho de 1995 - Revista Quatro Rodas - Número 419

Nesta seção, recuperamos a história e a evolução do Chevrolet Corsa através das reportagens veiculadas na mídia especializada. Aqui, você fica sabendo tudo a respeito do carro no ponto de vista de quem entende do assunto. Podem ser encontradas aqui desde reportagens mais antigas até as mais recentes, com todas as informações que foram registradas durante a existência do Corsa. E, cá para nós, foram muitas as atenções prestadas pela mídia ao nosso querido carro.

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Wilson
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Junho de 1995 - Revista Quatro Rodas - Número 419

Mensagempor Wilson » Terça-feira 03rd 2010f Agosto 2010 05:17:07 PM

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PICAPE CORSA


Na pista, uma exclusividade nacional


Derivada do maior sucesso da General Motors. ela foi criada aqui mesmo, no Brasil. E chega para substituir a Chevy. apresentando muita estabilidade e
uma nova motorização.



Criatividade. Com essa arma, a General Motors do Brasil - que já revolucionara a indústria nacional no inicio do ano passado, ao lançar o Corsa –
amplia, outra vez, as opções do consumidor. Mais do que isso: ao adaptar seu maior sucesso (um projeto originariamente alemão) para a versão picape, a
montadora apresenta, por aqui, uma novidade absoluta, não existente em nenhuma outra parte do mundo.

Sabe-se, por exemplo que a Opel fabrica, na Europa, as versões 3 e 5 portas do corsa, mais o furgão Combo. Mas a idéia de transformar o urbano nesse
tipo de comercial leve é genuinamente brasileira. E remonta a 1992, ano da implementação do próprio projeto do automóvel no pais. Já naquela época, a
fabrica começava a estudar, paralelamente à versão hatchback, a possibilidade de criar derivados de seu novo popular. E nada mais natural que, com o
tempo, esta acabasse sendo a solução encontrada para ocupar o lugar da Chevy. Uma picape baseada no Chevette, que, como sua fonte inspiradora
(substituída pelo próprio Corsa), não mais apresentava condições de competir com as concorrentes.“A imagem da Chevy havia ficado muito vinculada à
idéia de trabalho, deixando o lazer de lado”, explica o gerente de Merchandising da General Motors, Frederico J. Themoteo Junior.

Assim nasceu o Projeto 2020

Em marco de 1992, a equipe do Centro Tecnológico da fabrica no Brasil já arregaçava as mangas. E um grupo de trinta designers dava inicio aos
primeiros esboços do Projeto 2020 – código pelo qual a adaptação do Corsa em picape passaria a ser conhecida dentro da montadora. Uma vez rendo o
projeto todo no papel, era hora de a Opel, subsidiaria da General Motors na Alemanha, analisá-lo. “Não se tratava de uma aprovação”, faz questão de
ressaltar o gerente de Programas de Produto da GM do Brasil, o engenheiro Ladislaus Von Marton, “Acontece que existe, hoje, um tendência unificadora,
de se obter uma engenharia mundial. E, por isso, fomos ouvir as possíveis dicas que eles teriam para nos dar.”

Resultado: a picape agradou tanto lá fora que já nasceu, segundo a fabrica, com possibilidades de ser exportada. Em junho de 1993, ficava pronto o
primeiro protótipo da picape corsa, em fibra de vidro. Após ser avaliado aqui, ele percorreu paises da Europa, os Estados Unidos e toda a América do
Sul, a fim e receber as impressões desses diferentes mercados. Em fevereiro do ano passado, era apresentada a primeira picape em condições de rodar. A
partir de marcos deste ano, começou a chamada pré-producao, fase em que o processo de fabricação é, enfim, analisado e ajustado.

Lançada no inicio de junho, a picape corsa foi um projeto que, entre a idéia e a comercialização, durou 39 meses. Alias concepção esportiva e amplo
espaço para o transporte de cargas foi seu principal objetivo. Plenamente alcançado: as linhas arredondadas transmitem a mesma sensação futurista da
conhecida versão hatchback, de quem o veiculo herdou a parte dianteira. Frente ao carro de passeio, a picape corsa é 424 mm mais comprida (mede
4100mm, com distancia entre-eixos de 2470mm), 80mm mais larga (com 1290mm) e 4 mm mais alta (com 1490mm). O acabamento interno, acarpetado, semelhante
ao da versão GL 1.4, permitiu, em nossos testes, a aferição de um bom nível de ruído médio para uma picape, de 67,9 decibéis. Bem menos que os 70,2dB,
71,2 dB e 72,5 dB apresentados por Saveiro, Fiorino e Pampa no comparativo publicado em setembro de 1991.

As diferenças entre esse novo Corsa e os demais membros da família só começam, mesmo, a partir da caçamba, que apresenta volume de 945 litros e
capacidade de carga de 575kg, incluindo-se os pesos do motorista e do acompanhante. A traseira é mais larga, com pára-choques envolventes e o mesmo
conjunto óptico do Corsa GL 1.4. A bitola traseira mede 1427mm, contra 1388mm do hatchback (a dianteira, com 1387mm, permanece igual).
A picape também marca a estréia, no Brasil, de um novo motor, de 1598cm, a gasolina. Da família do 1.0 e do 1.4 que equipam o Corsa ele apresenta
concepção idêntica à dos utilizados pela Opel no Astra e no Vectra europeu. “O propulsor passou, apenas, por algumas regulagens, necessárias antes de
ser utilizado por aqui”, explica o engenheiro Ladislaus Von Marton. Apesar de estar sendo produzido na fabrica da General Motors, em São Jose dos
Campos (SP), possui alguns componentes importados, como o cabeçote. Por enquanto, Será fabricado somente na versão 1.6, a gasolina. Futuramente,
porem, existe a possibilidade de o veiculo receber outras motorizações, e de a montadora introduzir as versões 1.0 e a álcool na linha.

Equilíbrio, só no consumo

Posicionado transversalmente, esse motor possui 4 cilindros em linha e 8 válvulas. Alimentado por injeção eletrônica single-point, desenvolve potencia
de 79cv a 5400rpm e torque de 12,8 kg/fm a 3000 rpm. Na pista, porem, não confirmou as expectativas de alcançar um desempenho superior a tudo que já
havia aparecido em termos de picape no país. Os 155,3km/h de velocidade máxima, 13s53 para acelerar de 0 a 100 km/h e 25s74 na retomada de 40 a
100km/h foram ainda insuficientes para bater, por exemplo, a performance da Fiorino LX 1.6. Afinal, em um comparativo que envolveu as derivadas das
quatros montadoras (ela própria, mais Saveiro, Pampa e a Extinta Chevy), em setembro de 1991, essa Fiat já alcançara resultados bem melhores em todas
as provas de desempenho: 146,4 km;h de velocidade máxima; 13s29 na aceleração de 0 a 100 km/h; e 22s34 na retomada de 40 a 100km/h. O equilíbrio entre
as duas rivais só se deu em consumo. Na cidade, ainda levando-se em conta a avaliação da Fiorino, em 1991, a derivada do Corsa mostra-se mais
econômica (com 11,88 km/l contra 10,51km/l). Mas, na estrada, rodando vazias, a vantagem volta a ser da picape Fiat (15,76km/l a 14,53km/l). Uma boa
explicação para tais resultados encontra-se na relação peso/potencia de ambas, favorável a Fiorino (10,71 kg/cv a 12,17 kg/cv vazias e 18,09 kg/cv a
19,45 kg/cv, carregadas).



Mas tudo que fica a dever em performance e economia a Picape Corsa compensa em estabilidade e segurança. Como veiculo destinado ao transporte de
cargas, é natural que tenha passado por alterações especificas na parte mecânica. Para tal, os engenheiros da GM se inspiraram no Combo, o furgão da
família, vendido na Espanha. Assim, a suspensão dianteira mantém-se similar à do modelo hatchback, mas com calibração adequada a uma picape. Já a
suspensão traseira passou a ser composta por molas semi-elipticas e amortecedores telescópicos hidráulicos suplementares, para melhor suportar o peso
de cargas. Como resultado disso, o veiculo alcançou o ponto ideal entre firmeza e conforto, embora, nas curvas, sua tendência seja a de sair de
traseira (de resto, uma característica de toda picape, onde o motor, invariavelmente localizado na parte dianteira desequilibra o peso). Isso, porem,
em nada afetou sua atuação em aderência lateral. Com pneus e rodas bem dimensionados, chegou a 0,92g. Marca idêntica à do Corsa GSI 16V, que lhe
confere o segundo lugar no “Ranking” dos nacionais de QUATRO RODAS em aceleração lateral, atrás somente do 0,95g obtido pelo Gol FTI 2.0. Os freios
dianteiros são a disco, ventilados. Na traseira, o carro conta com tambor auto-ajustavel e válvula equalizadora de ação. Isso significa que o freio
exerce eficiência proporcional ao peso da carga, garantindo maior segurança. A distancia ate a parada total (30,46m), vindo a 80km/h, foi satisfatória
para um carro de sua categoria.

As picapes derivadas de automóveis representam, atualmente, 34% do mercado de veículos comerciais no Brasil, o equivalente a 68830 unidade vendidas
(no atacado) em 1994. Um segmento no qual a participação da GM vinha caindo. Fora de produção desde abril, a Chevy (lançada em outubro de 1983) vendeu
301 unidades nos quatro primeiros meses de 1995. Quase nada, diante dos números da concorrência (confira no gráfico acima).
A partir dessa substituição, a GM não esconde a intenção de ampliar ainda mais a gama de produtos derivados do Corsa (leia “Segredo” nesta edição).
“Ele será, futuramente, a maior família da General Motors”, profetiza o gerente de Marketing e Administração Frederico Themoteo, preparando o
consumidor para novas versões da ”galinha dos ovos de ouro” da marca.

As melhores marcas dizem respeito à segurança: 0,92g e parada a 80km;h em 30,46m


Contribuição: Wilson Leme



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Picape Corsa

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Um habitáculo caprichado, igual ao do GL 1.4, foi o responsável pelo bom nível médio de ruído (67,9 dB). Externamente, a parte dianteira da picape é a mesma dos demais membros da família

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Com um novo motor 1.6 e capacidade para carga de 575 kg, traz esportividade e espaço

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Compare as picapes nacionais do mercado

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O motor 1.6, de 4 cilindros e 8 válvulas gera potência de 79 cv. Mas, em desempenho, ainda ficou devendo para o da picape Fiorino

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Resultados dos testes

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Ficha Técnica

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