Outubro de 1994 - Revista Ofinina Mecânica - Número 97

Nesta seção, recuperamos a história e a evolução do Chevrolet Corsa através das reportagens veiculadas na mídia especializada. Aqui, você fica sabendo tudo a respeito do carro no ponto de vista de quem entende do assunto. Podem ser encontradas aqui desde reportagens mais antigas até as mais recentes, com todas as informações que foram registradas durante a existência do Corsa. E, cá para nós, foram muitas as atenções prestadas pela mídia ao nosso querido carro.

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Wilson
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Modelo do veiculo: CORSA GSI 16V
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Outubro de 1994 - Revista Ofinina Mecânica - Número 97

Mensagempor Wilson » Terça-feira 03rd 2010f Agosto 2010 05:09:38 PM

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TESTE – CORSA GSI 16V

O Corsa tem agora uma versão esportiva, com motor alemão de 1.600 cc e 16 válvulas, capaz de fazer de 0 a 100 km/h em menos de 10 segundos.

Pegue uma carroceria de Corsa, traga da Alemanha um motor 1.6 DOHC (duplo comando de válvulas no cabeçote) com 16v, coloque nele um câmbio mais
reforçado, rodas de liga leve esportivas, condicionador de ar, direção hidráulica e outros acessórios sofisticados e pronto... Surge um Corsa
esportivo e atraente. E foi o que a General Motors fez. Aproveitando a euforia do lançamento do Corsa “popular” e a boa aceitação da versão GL 1.4, já
está pronto o esportivo GSI 16v.
O preço que a GM pretende comercializar o Corsa GSI 16v (em torno de US$ 21 mil, ainda não confirmado), o coloca em uma posição privilegiada em
relação aos concorrentes diretos, como por exemplo o novo Gol GTI, Escort XR3i, Uno Turbo e o próprio Kadett GSI da GM, que custam mais caro.
Externamente, o Corsa GSI 16v chama atenção pelas suas “abas” laterais que contornam os pára-lamas; faróis de neblina; teto solar, spoiler colocado
na tampa do porta-malas e as rodas de liga leve aro 14. Fora isso, todos os detalhes internos são pintados da cor do carro, realçando a esportividade
deste pequeno automóvel. Assim é o Corsa GSI, o mais novo esportivo do mercado, o nacional de melhor desempenho até 1.600cc.

DESEMPENHO – Pode-se dizer que o desempenho do Corsa GSI é condizente com seu estilo agressivo. Mesmo com motor de baixa cilindrada, 1.600cc, o
pequeno esportivo tem performance de “gente grande”. Sua aceleração de zero a 100 km/h foi feita em excelentes 9,64 segundos e a velocidade máxima
ficou acima dos 190 km/h. Para comparação, o Escort XR3i, com motor 2.0, gasta 11,6 segundos para chegar a 100 km/h, partindo da imobilidade e atinge
uma velocidade de 184,0 km/h. Mas, se sua aceleração e velocidade atingiram ótimos valores, as retomadas de velocidade em quinta marcha, deixaram a
desejar. De 40 a 100 km/h, o GSI 16v gastou 21,34 segundos.
O valor insatisfatório das retomadas é realçado quando se trafega com o Corsa GSI em marchas mais altas, como quarta e quinta marchas, por exemplo,
onde o pequeno motor 1.6 é bastante exigido para fazer o carro aumentar a velocidade. Não que o GSI seja lento nestas situações, apenas fica devendo
um pouco como esportivo. Porém, basta reduzir as marchas para que o Corsa 16v retome a velocidade e comece novamente a andar rápido. Esta
característica (pouca força em baixa rotação) não é só do Corsa GSI, mas de quase todos os motores que utilizam quatro válvulas por cilindro.

MOTOR/CÂMBIO – O motor do Corsa GSI é importado da Opel alemã e tem exatos 1598 cc, desenvolve 106 cv a 6.200 rpm e tem 14,5 kgfm de torque a 4.000
rpm. Em termos de potência, pode-se afirmar que este motor é o mais potente já comercializado no Brasil, na categoria de 1.600cc (exatos 1.598 cc).
Para isso, tem um cabeçote de quatro válvulas por cilindro e é alimentado por um sistema de injeção eletrônica bem atual, desenvolvido pela AC Delco
Systems, empresa filiada à General Motors.
Este sistema de injeção passou por uma adequação ao nosso combustível (gasolina com 22% de álcool anidro). Segundo a empresa, foram gastas pela
engenharia da GM cerca de seis semanas na calibragem do equipamento para as condições brasileiras.Além de monitorar todo o sistema de alimentação,
esta injeção trabalha em conjunto com a ignição, refazendo a cada milésimo de segundo a curva de avanço de ignição mais adequada ao combustível, modo
de guiar e variações externas, como por exemplo temperatura do ar. Para tanto, tem sonda lambda no escapamento (que mede a quantidade de oxigênio
resultante da queima da mistura) e sensor de detonação no bloco do motor. Com isso, foi possível usar 10,5:1 de taxa de compressão, bastante elevada,
num motor a gasolina.
O bloco do motor pertence à chamada Família 1 de motores da GM (a Família 2 é a dos Omega quatro cilindros, Vectra, Monza e derivados), pequeno, leve
e compatível com o tamanho do Corsa, e não tem nada a ver com os primeiros motores OHC 1.6 que equipavam os Monza em seu lançamento no Brasil, em
1982. Além de eficiente, o motor 1.6 16v chama atenção pelo visual, principalmente pelos tubos do coletor de admissão.
Quanto ao câmbio, sai o modelo F13, que equipa o “popular” Wind, e aparece o F15, que além de ter outras relações de marchas, suporta um valor de
torque mais elevado (o F13 resiste a até 13 kgfm de torque, contra 15 kgfm do F15). Os engates de marchas continuam suaves e rápidos neste novo
câmbio.

CONSUMO/AUTONOMIA – O Corsa GSI tem bons índices de consumo de combustível: na estrada, o consumo pode chegar aos 15,8 km/litro, um resultado
excelente. Na cidade, o Corsa GSI gasta um litro de gasolina a cada 11,2 km e com estes valores, pode ter uma autonomia teórica de até 515 km na
cidade e 727 km na estrada, sem reabastecimento. Porém, quando dirigido de forma esportiva, como insinua o carro, o consumo começa a ficar bem mais
“salgado”.

DIREÇÃO/FREIOS – O sistema de direção continua com pinhão e cremalheira, mas passa, agora a ser assistida de forma hidráulica e com uma relação bem
mais direta. No GSI, a qualquer movimento no volante de direção já ocorre mudança de trajetória, causando certa apreensão no primeiro contato. Mas é
um sistema preciso e ótimo de usar quando o estilo de dirigir se torna mais esportivo, e mesmo com pneus bem mais largos (185 mm de largura), a
movimentação no volante é leve, graças ao sistema hidráulico.
O volante de direção também é novo, de três raios e revestido em couro. Tem ótima “pega” e desenho agradável. Também oferece correta visualização dos
instrumentos, mesmo para pessoas mais altas.
A grande novidade no sistema de freios fica por conta do ABS. Com disco ventilado na dianteira e tambor na traseira. Freado a 100 km/h, o Corsa GSI
percorreu 40,3 metros até a parada total. Porém, o acionamento do ABS se mostrou muito brusco, causando uma vibração no pedal que chegava a
incomodar. Esta característica pode deixar alguns motoristas preocupados quanto a algum problema no sistema, quando na verdade, trata-se de apenas uma
característica do projeto, que poderia ser revisto. No mais, as frenagens foram feitas sempre com controle total do veículo e em espaços reduzidos,
inspirando confiança.

SUSPENSÃO/ESTABILIDADE - As suspensões permaneceram semelhantes às dos demais Corsas, com sistema Mc Pherson na dianteira e eixo de torção na
traseira. Mas, como a versão esportiva é bem mais rápida e um pouco mais pesada, as cargas de molas e amortecedores foram refeitas, deixando o Corsa
GSI um pouco mais duro e menos confortável, já que “copia” mais as irregularidades do piso, o que é acentuado pelos pneus de perfil baixo (série 60).
Este arranjo é menos confortável, mas se mostrou eficiente em curvas.
Na prova de aderência lateral, onde MECÂNICA a capacidade dos carros em contornar curvas, o esportivo Corsa bateu o recorde dos carros nacionais. Seu
resultado de 0,83g deixa o novo Gol, até então o campeão com 0,81g, em segundo lugar. Nas curvas de baixa velocidade porém, o carro mostrou uma
tendência substerçante (escapada de frente), e também uma patinagem excessiva de rodas quando se pressiona a fundo o acelerador, ou seja, o carro não
consegue transmitir toda a potência do seu motor para o solo nessa situação. Fora isso, o Corsa GSI está sempre “na mão” e o consumidor comum
dificilmente irá superar a capacidade do carro em fazer curvas. Dá pra brincar bastante, sem levar grandes sustos.

ESTILO/AERODINÂMICA – Se o Corsa já era um veículo atraente, a Versão GSI ficou melhor ainda. Seus pára-choques são pintados na cor do carro e têm
pequenas saias laterais. Até mesmo os espelhos retrovisores e a ponteira do escapamento foram redesenhados.
Na traseira foi incorporado um pequeno spoiler na tampa do porta-malas deixando um visual esportivo e ao mesmo tempo discreto. As rodas, por sua vez,
são de liga leve e aro 14 (nas demais versões do Corsa, são de aro 13), e parecem que deixaram o carro mais “cheio” e robusto.
Sua aerodinâmica continua boa, reafirmando a atualidade de seu projeto e também do desenho de sua carroceria. Mesmo quando se trafega em altas
velocidades, é difícil escutar barulhos acentuados de vento. Seu Cx é de 0,35, enquanto sua área frontal é de 1,88 cm² e sua resultante tem um bom
valor: 0,67.

INTERIOR/ACABAMENTO – Por dentro, o GSI agrada. Seus bancos são maiores e mais envolventes que os dos Wind e GL, tendo os encostos de cabeça vazados,
inclusive para os passageiros traseiros, que também contam com cintos de três pontos. O painel de instrumentos é semelhando ao do GL, e tem
conta-giros com escala vermelha a partir de 6.500 rpm, velocímetro até 220 km/h e mais dois marcadores: nível de combustível no tanque e temperatura
da água do radiador, fora as luzes espias.
O rádio/toca-fitas é idêntico ao usado no GL, com dial separado dos comandos. Isso, teoricamente, inibe a ação dos “gatunos”, uma vez que se roubarem
o aparelho, ficarão sem o dial. Neste mesmo visor digital, há informações de temperatura externa do ar, dia, ano e hora. Informações no mínimo
curiosas de se ter num veículo.
O acabamento também é superior aos demais “irmãos” da linha. Os revestimentos de porta são aveludados, com um filete vermelho. Estes filetes, também
estão presentes nos bancos, mais envolventes, que roubam um pouco de espaço para os passageiros traseiros.
De resto, o Corsa GSI é luxuoso, com ar-condicionado, direção com assistência hidráulica e acionamento elétrico dos espelhos e vidros.

DIMENSÕES – O Corsa é um carro pequeno, com comprimento inferior a quatro metros ( exatos 3.729 mm), o que facilita qualquer manobra e lhe confere,
também, boa agilidade no trânsito urbano. Outro fator que ajuda nos estacionamentos é sua pequena largura: 1.608 mm. Com distância entre-eixos de
2.443 mm, o Corsa, proporciona um rodar macio e boa capacidade de contornar curvas de alta velocidade (mais abertas). Por outro lado, esta grande
distância entre-eixos deixa o carro um pouco subesterçante em curvas mais fechadas. Com 136 mm de altura livre do solo, não sentimos nenhuma
dificuldade em trafegar nas (péssimas) e também em superar lombadas e obstáculos.

MANUTENÇÃO/MERCADO – A manutenção deverá seguir o esquema dos demais Corsa, ou seja, simples de fazer, desde que numa concessionária. Este motor,
mesmo sendo novo, não é nenhum desconhecido. Parte da Família 1; são motores de menor dimensão, mas muito parecidos com os do Kadett/Monza e
derivados. Apenas seu cabeçote de duplo comando e 16 válvulas é que poderá deixar os mais curiosos um pouco espantados.
Outros detalhes que merecem atenção maior na manutenção, são o sistema ABS (antibloqueio) de freios e da própria injeção eletrônica de combustível.
Fora isso, o GSI conta com o serviço de atendimento Chevrolet Road Service, que socorre o veículo a qualquer momento, durante o período de garantia.
Em relação ao mercado, a exemplo dos Wind e GL 1.4, a versão esportiva também deverá ter boas vendas. Mas, para isso, a montadora precisa aumentar o
volume de produção do Corsa.

CONCLUSÃO – Um novo esportivo surge no mercado. Ágil, de respostas rápidas, relativamente econômico e é um Corsa. Por outro lado, seu preço é quase
três vezes que o do Wind, modelo que lhe deu origem. E mais, os US$ 21 mil (não oficializados até o fechamento desta edição) de preço do Corsa
esportivo o coloca num patamar de concorrência mais disputada, onde aparecem, por exemplo o novo Gol, o próprio Kadett e o Monza, Escort e até mesmo
alguns importados, como o Fiat Tipo. Claro que estes carros são de categorias diferentes, mas têm preços parecidos e podem “roubar” um pouco de
interessados no Corsa GSI. Ainda mais se o esportivo também chegar ao mercado com ágio.

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Corsa GSI
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Motor alemão de 1.600cc e 16 válvulas

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O motor 1.6 16v, com 106 cv de potência

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O interior, com acabamento mais esportivo.

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Estabilidade e melhor aderência lateral entre os nacionais.

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Rodas aro 14, mini-saias laterais, pára-choque na cor do carro, spoiler, teto solar... Muitos equipamentos num pequeno carro esportivo.

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Ficha Técnica

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Spoiler montado na tampa traseira: visual agressivo e melhor aerodinâmica.

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O Corsa fez de 0 a 100 km/h em 9,64 segundos, e chega aos 192 km/h.

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